A Tidewater vai adquirir a Wilson Sons Ultratug Offshore por US$ 500 milhões.

23 fevereiro 2026
Direitos autorais Rafael Henrique/AdobeStock
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Negócio à vista, expansão da presença no Brasil

A Tidewater Inc. (NYSE: TDW) assinou um acordo definitivo para adquirir a Wilson Sons Ultratug Participações SA e sua afiliada Atlantic Offshore Services SA (coletivamente, WSUT) em uma transação totalmente em dinheiro avaliada em aproximadamente US$ 500 milhões, incluindo a assunção de dívidas existentes.

A aquisição fortalece significativamente a posição da Tidewater no mercado global de embarcações de apoio offshore (OSV), ao mesmo tempo que marca uma expansão decisiva no Brasil — uma das regiões de energia offshore mais ativas do mundo.

A WSUT traz para a Tidewater uma frota de 22 embarcações de apoio a plataformas (PSVs). Considerando a transação, a Tidewater passará a deter 213 embarcações de apoio offshore (OSVs) e uma frota global total de 231 embarcações, incluindo barcos de apoio à tripulação, rebocadores e embarcações de manutenção.

O acordo também expande drasticamente a presença da Tidewater no Brasil, aumentando sua frota no país de seis para 28 embarcações. De acordo com Quintin Kneen, presidente e CEO da Tidewater , essa escala é crucial. “O mercado brasileiro de embarcações offshore é um dos maiores e mais atraentes do mundo”, afirmou Kneen. “A WSUT representa uma oportunidade única de entrar no Brasil em grande escala, com uma frota composta por quase 90% de embarcações construídas no Brasil.”

Dezenove dos 22 PSVs da WSUT foram construídos no Brasil — um importante ativo estratégico. Embarcações construídas no Brasil têm prioridade em licitações locais, e a frota proporciona acesso aos direitos de tonelagem do Registro Especial Brasileiro (REB). Esse registro permite à Tidewater importar e operar embarcações com bandeira internacional no Brasil sob regime regulatório favorável.

A WSUT entra na transação com uma carteira de pedidos de aproximadamente US$ 441 milhões, oferecendo uma visibilidade substancial de receita futura. A Tidewater observou que muitos dos contratos estão atualmente com preços abaixo das taxas diárias de mercado vigentes, criando potencial de crescimento à medida que os contratos forem renovados.

Considerando a conclusão do negócio no final do segundo trimestre de 2026, a Tidewater espera que a unidade de negócios WSUT gere aproximadamente US$ 220 milhões em receita nos primeiros 12 meses, com uma margem bruta projetada de cerca de 58%. As despesas administrativas e gerais anuais relacionadas ao negócio devem totalizar cerca de US$ 14 milhões.

A empresa afirmou que espera que a transação contribua significativamente para o aumento dos lucros e do fluxo de caixa livre por ação tanto em 2026 quanto em 2027.

Além da expansão da frota, o acordo inclui o que a Tidewater descreve como "financiamento embutido e de baixo custo". A WSUT possui aproximadamente US$ 261 milhões em dívida amortizável de longo prazo, com vencimento em 30 de setembro de 2025, fornecida principalmente pelo BNDES e pelo Banco do Brasil. A Tidewater pretende novar e refinanciar essa dívida como parte da transação, preservando condições de financiamento atrativas.

Kneen enfatizou que a aquisição sucede as medidas de refinanciamento executadas no terceiro trimestre de 2025, que fortaleceram o balanço patrimonial da empresa. Considerando a previsão de conclusão da transação em 30 de junho de 2026, a Tidewater espera que seu índice de alavancagem líquida permaneça abaixo de 1,0x.

“Com uma geração substancial de caixa livre a curto prazo”, disse Kneen, “teremos flexibilidade contínua para buscar oportunidades adicionais de alocação de capital”.


Posicionamento para o crescimento do Brasil no exterior

O setor de petróleo e gás offshore do Brasil — ancorado pelos projetos em águas profundas e no pré-sal da Petrobras — continua sendo um dos mercados offshore mais ativos do mundo. A expansão da presença da Tidewater permite que a empresa concorra de forma mais eficaz em licitações locais, ao mesmo tempo que aproveita a capacidade da plataforma REB para implantar tonelagem adicional internacionalmente.

Até o momento do anúncio, 21 das 22 embarcações da WSUT estão ativas e operando no Brasil, proporcionando integração comercial imediata.

A transação foi aprovada por unanimidade pelo Conselho de Administração da Tidewater e a expectativa é de que seja concluída no final do segundo trimestre de 2026, sujeita às aprovações regulatórias e às condições de fechamento habituais, incluindo a aprovação do CADE, órgão antitruste brasileiro.

A Piper Sandler está atuando como consultora financeira da Tidewater, com a Skadden, Arps, Slate, Meagher & Flom LLP e a Machado, Meyer, Sendacz e Opice Advogados atuando como consultoras jurídicas.

Se concluída conforme planejado, a aquisição consolida ainda mais a posição da Tidewater como uma das maiores e mais diversificadas operadoras de embarcações de apoio offshore do mundo — com o Brasil agora firmemente no centro de sua estratégia de crescimento.


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