Petrobras: 'Uma Nova Era Começa'

De Claudio Paschoa1 fevereiro 2019
FPSO P 69 saindo do estaleiro após a integração do módulo. (Fonte: Petrobras)
FPSO P 69 saindo do estaleiro após a integração do módulo. (Fonte: Petrobras)

O novo ano começou com um novo governo no Brasil e uma nova administração controlando a companhia nacional de petróleo e gás Petróleo Brasileiro. Há mudanças no horizonte para a empresa comumente conhecida como Petrobras, mas seu novo presidente, Roberto Castello Branco, disse durante seu discurso de posse em janeiro que a empresa manterá o foco na exploração e produção de grandes campos de petróleo em águas profundas no pré-sal. polígono onde buscará acelerar a extração de petróleo e gás.

"Diante da preocupação com a mudança climática e a tendência de eletrificação, vamos acelerar a produção de petróleo para que nossas reservas tenham o melhor uso possível", disse Castello Branco, lembrando que isso será uma prioridade. Sob o plano de negócios atual, a produção de petróleo da empresa no Brasil deverá ultrapassar 2,8 milhões de barris por dia, em média, em 2023.

O novo chefe executivo enfatizou que “o que é relevante é ser forte e não ser gigante” e declarou que os monopólios são “inadmissíveis” nas sociedades livres. No entanto, ele também disse que a privatização da holding Petrobras não está na pauta por enquanto.

Presidente da Petrobras Roberto Castello Branco (Fonte: Petrobras)

Ao lançar seu plano de negócios e gestão para o próximo período de cinco anos, executivos da Petrobras disseram que o plano supunha um aumento médio de US $ 66 por barril em 2019, US $ 67 em 2020, US $ 72 em 2021, US $ 75 em 2020, para US $ 75 em 2023. O atual plano de negócios aprovado pela gerência anterior, Castello Branco, disse que, em princípio, o programa é bom, mas ele planeja avaliar se mudanças serão necessárias. O executivo disse que a visão estratégica da empresa incluirá cinco prioridades: gestão de portfólio, minimização do custo de capital e busca incessante por baixos custos e eficiência, meritocracia, segurança no trabalho e proteção ao meio ambiente.

Com o aumento esperado na perfuração e produção em águas profundas, as duas últimas prioridades precisarão ser muito robustas, o que pode afetar a busca por custos mais baixos. A Petrobras ainda está em processo de recuperação por conta da Operação Lava Jato, que desmascarou uma série de esquemas de corrupção envolvendo executivos de empresas, políticos e grandes construtoras locais, entre outros. “Hoje a Petrobras é muito melhor que 2015, mas ainda há muito a fazer”, disse Castello Branco. “Foi salvo do rebaixamento da segunda divisão, mas ainda há muito a fazer para ser campeão. Uma nova era começa.

A operadora nacional destinou US $ 84 bilhões em investimentos entre 2019 e 2023. Ela planeja gastar US $ 68,8 bilhões em seus negócios de exploração e produção, US $ 8,2 bilhões em refino, transporte e marketing, US $ 5,3 bilhões em gás e petroquímicos e US $ 400 milhões em renováveis. fontes de energia. O novo presidente indicou que alguns desses setores com menos investimentos podem estar abertos à concorrência estrangeira e / ou envolver parcerias com a estatal, o que está aliado à intenção do novo governo brasileiro. “As parcerias serão sempre bem-vindas, especialmente pela extraordinária oportunidade de trocar idéias e experiências”, disse ele.

A maioria dos fundos investidos em E & P enfatizará a produção, especialmente no pré-sal, onde a empresa planeja aumentar a produção colocando 13 unidades flutuantes de produção, armazenamento e descarregamento (FPSO) em produção até 2023. Ela ainda tem que encomendar sete deles. Apesar dos atrasos na colocação de alguns pedidos, as fontes com acesso à nova gerência estão convencidos de que os pedidos pendentes de FPSO continuam sendo uma prioridade.

Fontes da Petrobras destacaram que E & P continua a ser o motor gerador de valor mais importante da empresa, e o foco permanece no desenvolvimento da produção em águas profundas, onde grandes volumes diários são a norma e onde sistemas submarinos eficientes ligados ao FPSO são vitais, com uma variedade de sistemas de risers e linhas de fluxo sendo testados ou implementados, dependendo das peculiaridades dos reservatórios, das disposições de poços submarinos e do número de poços em águas profundas no sistema.

A Petrobras está se preparando agressivamente para aumentar sua produção de petróleo e gás, que em novembro de 2018 era de 2,62 milhões de boed, com 2,52 milhões de boed produzidos no Brasil e 100 mil boed no exterior. A produção total operada da empresa (incluindo a participação da Petrobras e de parceiros) foi de 3,28 milhões de boed, com 3,15 milhões de boed no Brasil. Os números registraram leve redução a partir de outubro de 2018, principalmente devido a paradas de manutenção do FPSO Cidade de Ilhabela, localizado no campo de Sapinhoá, no pré-sal da Bacia de Santos, e das plataformas P-18 e P-37, localizadas no Campo de Marlim, na Bacia de Campos. Em novembro, foi destaque o início da operação do FPSO P-75, segunda unidade instalada no campo de Búzios, no pré-sal da Bacia de Santos.

O polígono do pré-sal no exterior no Brasil (Fonte: Petrobras)

Entende-se que a Petrobras está analisando uma nova estratégia de contratação de seus próximos navios FPSO para operar na província do pré-sal. Fontes da indústria afirmaram que a empresa está considerando mudar do formato de leasing e operação, que tem sido usado recentemente para fretamento de grandes FPSOs para os campos Mero e Sépia, para as modalidades contratuais de engenharia, aquisição e construção (EPC) ou construção. operação-transferência (BOT). Atualmente, a Petrobras oferece cinco FPSOs, dois para a revitalização do antigo campo de Marlim e um para cada um dos Mero, Búzios e Parque das Baleias, sob o modelo mais tradicional de leasing e operação. Com isso, a empresa estaria se protegendo contra eventuais perdas de competitividade. Isso porque os principais players estão envolvidos em três licitações para as cartas de FPSO promovidas pela operadora nacional: Mero 2, Parque das Baleias e Marlim 1 e 2. “Existe a possibilidade de que se a Petrobras entrar no mercado com mais uma carta, talvez haja pode ser apenas um ou dois jogadores no leilão de Itapu ”, explicou uma fonte da indústria.

Além da Modec, que já venceu os contratos Mero 1 e Sepia, outros, incluindo SBM, Teekay, MISC e Yinson, são potenciais interessados. O diretor de Produção e Desenvolvimento de Tecnologia da Petrobras, Hugo Repsold, disse no ano passado que a empresa planeja retomar a contratação de seus próprios FPSOs apenas no caso de unidades com operações a partir de 2023. Ainda não se sabe se a nova administração vai manter isso. política, mas fontes bem colocadas indicam que uma mudança de política neste caso é improvável.

O pré-sal de Itapu, na Bacia de Santos, está a 2 mil metros de lâmina d'água a cerca de 200 km da costa do Rio de Janeiro. Seu volume in situ de 1,3 bilhão de barris de petróleo é um volume significativo, mas dificilmente um dos maiores, servindo como um bom exemplo da magnitude até mesmo de um sistema de produção submarina de médio porte do pré-sal. A previsão atual é que o campo produzirá por 30 anos, entre 2021 e 2050. O sistema de produção projetado prevê a conexão de cinco poços produtores, dois injetores de água e dois injetores de gás. Além da injeção, o gás pode ser drenado através da rede de gasodutos do pré-sal: Rota 1 (Caraguatatuba), Rota 2 (Cabiúnas) e Rota 3 (Comperj, em implantação).

A P-75 foi o quarto FPSO a ser colocado em produção em 2018, após o FPSO Cidade Campos dos Goytacazes, no campo da Tartaruga Verde, a P-69, no campo de Lula, e a P-74, no campo de Búzios. Estes, juntamente com a P-67, que já está em arrendamento de campo de Lula, e P-76, que foi para o campo de Búzios em dezembro, concluem os seis sistemas planejados para 2018 no Brasil, contribuindo para o aumento da produção da Petrobras no horizonte do plano de negócios e de gestão de 2018-2022. A empresa espera que sua produção cresça 10% no Brasil e 7% em geral, devido ao início de operação de cinco novas unidades de produção em 2018 e outras três em 2019. Para o período entre 2020 e 2023, a Petrobras espera produção total de óleo e natural para crescer a uma taxa média de 5% ao ano.

A Petrobras destacou em seu plano de investimento 2019-2023 que também espera continuar parcerias e desinvestimentos, onde vê o potencial para gerar US $ 26 bilhões ao longo do período do plano. "Essas iniciativas, combinadas com um fluxo de caixa estimado de US $ 114,2 bilhões, após dividendos, impostos e contingências, permitirão que a Petrobras invista e reduza sua dívida sem a necessidade de novo endividamento líquido no plano do horizonte da dívida", disse um executivo da Petrobras em dezembro. 2018.

FPSO Pioneiro de Libra no campo gigante do pré-sal de Libra no Brasil. (Fonte: Petrobras)

FPSOs em operação no pré-sal

FPSO P-75 - (campo de Búzios, na Bacia de Santos)

FPSO Cidade Campos dos Goytacazes - (campo Tartaruga Verde, na Bacia de Santos)

FPSO P-69 - (campo Lula, na Bacia de Santos)

FPSO P-76 - (campo de Búzios, na Bacia de Santos)

FPSO P-74 - (campo de Búzios, na Bacia de Santos)

FPSO Pioneiro de Libra - (bloco Libra, na Bacia de Santos)

FPSO P-66 - (campos sul Lula / Lula, na Bacia de Santos)

FPSO Cidade de Caraguatatuba - (campo da Lapa, na Bacia de Santos)

FPSO Cidade de Saquarema - (campo Lula / área Central Lula, na Bacia de Santos)

FPSO Cidade de Itaguaí - (campo Lula / área norte de Iracema, na Bacia de Santos)

FPSO Cidade de Maricá - (campo Lula / Lula Alto, na Bacia de Santos)

FPSO Cidade de São Paulo - (campo de Sapinhoá, na Bacia de Santos)

FPSO Cidade de Ilhabela - (área Norte Sapinhoá, na Bacia de Santos)

FPSO Cidade de Angra dos Reis - (campo Lula, na Bacia de Santos)

FPSO Cidade de São Paulo - (campo de Sapinhoá, na Bacia de Santos)

FPSO Cidade de Paraty - (Campo Nordeste de Lula, na Bacia de Santos)

FPSO Cidade de Mangaratiba - (campo Lula / área Iracema Sul, na Bacia de Santos)

FPSOs em operação no pré-sal e pós-sal da Bacia de Campos

FPSO Cidade de Anchieta - Campos Jubarte, Baleia Azul e Baleia Franca, no setor capixaba da Bacia de Campos

FPSO Capixaba - (campo de Baleia Franca, na porção capixaba da Bacia de Campos)