Conflito no Oriente Médio abala o mercado de perfuração offshore

Mateus Donovan22 abril 2026
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O conflito entre o Irã, os Estados Unidos, Israel e seus aliados em toda a região do Golfo teve um efeito imediato na indústria de petróleo e gás, tanto na exploração e produção quanto no refino e distribuição. Ataques com drones e mísseis danificaram refinarias e, em meados de abril de 2026, os bloqueios no Estreito de Ormuz restringiram severamente o fluxo de petróleo para o mercado global.

A guerra também afetou a perfuração na região. O Oriente Médio abriga 177 das 495 plataformas autoelevatórias do mundo, e a perfuração realizada por companhias petrolíferas nacionais na Arábia Saudita, nos Emirados Árabes Unidos e em outros países da região faz dela o maior mercado para essas plataformas.

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Suspensões de plataformas elevatórias afetam a atividade no curto prazo.


Após o Irã ter sido atingido por mísseis no final de fevereiro e ter começado a responder com ataques nos Emirados Árabes Unidos, no Catar e na Arábia Saudita, várias plataformas autoelevatórias foram desativadas e algumas atividades de perfuração foram interrompidas devido a preocupações com a segurança, particularmente no Catar.

Em meados de abril, um número significativo dessas plataformas já havia retornado ao trabalho. No entanto, a Saudi Aramco, a maior operadora em termos de plataformas autoelevatórias sob contrato, vem emitindo avisos de suspensão temporária, afetando plataformas autoelevatórias gerenciadas pela ADES, Arabian Drilling e outras contratadas.

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Fontes de mercado sugerem que cerca de 20 plataformas autoelevatórias podem ser afetadas. A duração das suspensões ainda não foi determinada; em suspensões anteriores, algumas plataformas permaneceram paralisadas pela Aramco por mais de um ano, mas as empresas de perfuração têm enfatizado a natureza temporária das suspensões desta vez. A demanda regional por plataformas no curto prazo também deve ser reduzida devido a atrasos no início de contratos previamente firmados.


O mercado de plataformas autoelevatórias enfrenta pressão de curto prazo.


Apesar desses contratempos, os processos de licitação para novos contratos de plataformas autoelevatórias na região continuaram, embora com alguns atrasos nos prazos das licitações em andamento.

A demanda por plataformas autoelevatórias no Oriente Médio deverá apresentar uma leve tendência de queda nos próximos meses devido a uma combinação de fatores, como suspensões, término antecipado de contratos e atrasos no início dos contratos. No entanto, diferentemente das suspensões anteriores da Aramco, não se espera que um grande número de plataformas autoelevatórias deixe o Oriente Médio.

A demanda regional por plataformas autoelevatórias deverá retornar aos níveis anteriores após a breve pausa, à medida que as plataformas voltam a operar e as operadoras se esforçam para restabelecer as operações normais. No entanto, esse retorno depende da resolução dos conflitos armados na região nos próximos meses. A prolongação dos combates e bloqueios provavelmente resultaria em uma queda ainda maior na atividade devido a preocupações com a segurança e problemas com a venda e o transporte dos hidrocarbonetos produzidos. Contudo, a longo prazo, os altos preços do petróleo decorrentes da guerra poderão impulsionar a demanda global por plataformas.

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Mesmo antes do recente início das hostilidades no Oriente Médio, a demanda global por plataformas de perfuração offshore já apresentava uma tendência de alta entre 2026 e 2027.

A atividade de plataformas flutuantes em todo o mundo vinha mostrando sinais de aumento em 2027, após a relativa calmaria de 2025, com navios-sonda garantindo novos contratos a partir do final de 2026 e nos anos seguintes.

A demanda, anteriormente reprimida devido a gargalos na cadeia de suprimentos ou restrições fiscais, está se fortalecendo e novos editais de licitação foram lançados, indicando um aumento na demanda por plataformas flutuantes no Oceano Índico, Sudeste Asiático e África Ocidental, além de uma demanda estável na América do Sul e no Golfo do México. Para o mercado de plataformas autoelevatórias, a previsão é de aumento da demanda ao longo de 2026, com o retorno das plataformas ao trabalho no Oriente Médio e no México, à medida que as suspensões de contratos chegam ao fim e novos editais são lançados globalmente.


Aumento de preços melhora as perspectivas para a demanda por plataformas de perfuração.


Olhando para o futuro próximo, os altos preços das commodities, causados pelo conflito, sustentam a continuidade das atividades em projetos de plataformas flutuantes e autoelevatórias que foram encomendados sob cenários de preços de petróleo mais baixos.

Embora as operadoras permaneçam cautelosas em relação aos altos preços do petróleo associados a um conflito regional, quanto mais tempo os preços do petróleo permanecerem elevados e as interrupções no fornecimento ao mercado global forem evidentes, maior será o incentivo para o aumento da demanda por plataformas de perfuração no futuro. Mesmo que a situação no Oriente Médio seja resolvida em curto prazo, o interesse em impulsionar a perfuração e a produção em áreas como a Ásia-Pacífico, que tiveram seu fornecimento de energia interrompido, pode persistir como uma forma de se proteger contra problemas futuros.

Os primeiros indícios disso já começam a surgir. Em uma declaração recente, o CEO da Borr Drilling, Bruno Morand, afirmou que conversas recentes com clientes confirmaram “os primeiros sinais” de uma tendência de aceleração das atividades de perfuração, observando “um senso de urgência crescente na adjudicação de licitações existentes e na antecipação de certos programas de perfuração”.

Do lado da operadora, a Valeura Energy, que possui operações offshore concentradas na Tailândia, afirmou que está buscando opções para acelerar projetos "em vista dos preços do petróleo substancialmente mais altos recentemente" e pretende aumentar o volume de perfuração que poderá realizar em 2026. Isso resultou em "discussões avançadas com empresas contratadas para operar plataformas de perfuração".


Explore a última edição da revista Offshore Engineer , que apresenta o artigo "Conflito no Oriente Médio abala o mercado de perfuração offshore", de Matthew Donovan, chefe de pesquisa de mercado de plataformas da Esgian, e muitos outros artigos de especialistas e jornalistas renomados do setor.

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